O assassinato de Ângela Maria Rodrigues Deoduque, morta pelo
ex-companheiro, no município de Marituba, na noite de sábado, eleva a estatísticas da violência contra a mulher.
Segundo informação da Diretora da Divisão Especializada no
Atendimento à Mulher (DEAM), em Belém, de janeiro a outubro
de 2010, mais de 9 (nove) mil mulheres procuraram a delegacia . Quase 06 (seis) mil registraram
ocorrências contra seus agressores. As demais não formalizaram
denúncias, mas buscaram outro tipo de atendimento. Queriam, por exemplo,
que os policiais daquela unidade da Polícia Civil conversassem com seus
companheiros, para que estes mudassem a conduta violenta, ou buscaram
informações sobre Defensoria Pública e Conselho Tutelar.
Mas o número total de atendimentos, já chega a 10 (dez) mil
este ano.
Em 2009, 75 mulheres foram abrigadas pelo Estado e Município, porque estavam sendo ameaçadas de morte por seus
companheiros. Na região Metropolitana este ano, 49 mulheres estão
nesses abrigos, nos quais permanecem de um a dois meses, até que a
Justiça decida pela concessão das Medidas Protetivas de Urgência, que preevem, entre outras coisas,
que os agressores fiquem longe de suas vítimas. E, assim, elas
possam voltar para suas casas.
Pela ordem dos crimes, segundo a DEAM, as principais ocorrências são:
Ameaça: 1.952;
Lesão corporal 1.653;
Vias de
fato: 868;
Perturbação da tranquilidade 750.
Para a Delegada/Diretora, não basta apenas fazer o Boletim de Ocorrência na Polícia. É preciso levar o caso adiante (como, por A maioria dos casos acontece nos lares e disso se prevalecem os agressores
exemplo, fazer os exames necessários, comparecer às audiências na
Polícia e na Justiça). E, tão importante quanto, ela deve afastar-se do
agressor, para que, assim, possa dar continuidade à sua vida. A delegada
Alessandra Jorge também falou sobre as dificuldades enfrentadas pelas
mulheres para romper esse ciclo de violência: a dependência emocional e
financeira, medo de sofrer uma violência ainda maior, sentimento de
vergonha ou culpa e receio de prejudicar seu agressor.
De acordo com Alessandra Jorge, no ano passado quem mais procurou a
DEAM, para denunciar essa violência, foram as donas de casa, as
empregadas domésticas, as estudantes e as aposentadas. A maioria das
vítimas tem entre 35 e 60 anos de idade. Entre as ações realizadas pela
DEAM, está a realização de palestras sobre a violência contra as
mulheres (foram 70 em 2009), como a que ocorreu, ontem à tarde, na
Associação de Moradores da Vileta, no bairro do Marco.
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