Mulheres da Libéria e Iêmen dividem Nobel da Paz em 2011
Presidente da Libéria, uma militante política e uma ativista social são agraciadas pela Academia Real Sueca por causa do trabalho pelos direitos das mulheres
As ganhadoras (a partir da esq.): Tawakkul Karman, Ellen Johnson Sirleaf e Leymah Gbowee
(Mandel Ngan/AFP)
Ellen Sirleaf é a primeira mulher chefe de estado na África. Só ganhou
por causa da compatriota Leymah. E Tawakkul Karman é a 1ª mulher árabe a
conquistar o Nobel da Paz
As três foram premiadas "pela luta pacífica pela segurança das mulheres e pelo direito de participar nos processos de paz", declarou, em Oslo, o presidente do comitê norueguês, Thorbjoern Jagland. "Não podemos alcançar a democracia e a paz duradoura no mundo se as mulheres não tiverem as mesmas oportunidades que os homens para influenciar os acontecimentos em todos os níveis da sociedade", completou ele. A última mulher a conquistar o prêmio - e a primeira mulher africana laureada com o Nobel da Paz - foi Wangari Maathai, que morreu no último dia 25 de setembro.
Cronologia: Da indicação ao prêmio, como é feita a escolha do Nobel da Paz
Ellen Johnson Sirleaf, de 72 anos, passou para a história ao se tornar, em 2005, a primeira mulher eleita chefe de estado no continente africano, em um país de quatro milhões de habitantes traumatizados por guerras civis que, de 1989 a 2003, deixaram 250.000 mortos. Os conflitos destruíram a infraestrura e a economia do país. "Desde sua posse em 2006, Ellen Johnson Sirleaf contribuiu para garantir a paz na Libéria, para promover o desenvolvimento econômico e social e para reforçar o lugar das mulheres na sociedade liberiana", destacou o presidente do comitê norueguês.
Greve de sexo - A chegada da presidente ao poder foi possível graças ao trabalho de Leymah Gbowee, "guerreira da paz", fundadora do movimento pacífico que contribuiu para terminar com a segunda guerra civil em 2003. Uma das mais memoráveis contribuições de Leymah à paz em seu país foi a ideia de convocar uma "greve de sexo". Lançada em 2002, essa iniciativa original levou as liberianas de todas as confissões religiosas a negar sexo aos homens até que cessassem os combates - o que obrigou Charles Taylor, ex-chefe de guerra convertido em presidente, a envolve-las nas negociações de paz.
Personalidades: Entre os ganhadores dos últimos dez anos, Obama e Annan
"Leymah Gbowee mobilizou e organizou as mulheres além das linhas de divisão étnica e religiosa para colocar um fim na uma longa guerra liberiana e garantir a participação das mulheres nas eleições", relembrou Jagland. A terceira laureada, a iemenita Tawakkul Karman, também foi premiada pela luta pela inclusão da mulher no processo político - assim como na África, no Oriente Médio elas têm pouquíssima participação na tomada de decisões. Conforme o comitê, Tawakkul "teve papel preponderante na luta pelos direitos das mulheres, democracia e paz no Iêmen, tanto antes como durante a Primavera Árabe".
Tawakkul Karman é a primeira mulher árabe a receber o Nobel da Paz. Ao ser avisada da escolha do comitê, ela se disse honrada e surpresa, e dedicou seu prêmio aos ativistas que lutam pela democratização dos países árabes. "Trata-se de uma honra para todos os árabes, muçulmanos e mulheres. Eu dedico este prêmio a todos os participantes da Primavera Árabe", afirmou ela ao canal de televisão árabe Al-Arabiya. "Este prêmio é uma vitória para a revolução, por seu caráter pacífico." Tawakkul recebeu a notícia do prêmio na Praça da Mudança, em Sanaa, onde os opositores ao regime acampam desde fevereiro.
Mulheres
Bertha von Suttner
Durante os mais de 100 anos de Nobel da Paz, apenas 12 mulheres haviam
recebido a honraria - número que sobe para 15 com a premiação deste ano.
A pioneira foi Bertha von Suttner, em 1905, ex-secretária do fundador
do prêmio, Alfred Nobel. Escritora de diversos romances, ela também
ajudou a organizar o 1º Congresso Internacional de Paz, fundou a
Sociedade Austríaca dos Amigos da Paz e foi eleita presidente honorária
do Escritório Internacional da Paz. Confira as demais premiadas:1931 - Jane Addams
1946 - Emily Greene Balch
1976 - Betty Williams
1976 - Mairead Corrigan
1979 - Madre Teresa de Calcutá
1982 - Alva Myrdal
1991 - Aung San Suu Kyi
1992 - Rigoberta Menchú Tum
1997 - Jody Williams
2003 - Shirin Ebadi
2004 - Wangari Maathai
Havia a expectativa de premiações mais incisivas para o Nobel da Paz 2011, em particular organizações e personagens ligados aos países que foram vanguarda na Primavera Árabe, como Tunísia e Egito, mas quem luta por uma vida melhor para as mulheres e um mundo mais democrático e tolerante pode ficar satisfeito com as decisões.
(Com agência France-Presse)
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